Uma recente decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) pode aumentar o valor da aposentadoria de trab alhadores que estão prestes a pedir o benefício ou já estão aposentados.
A Corte determinou que o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social)
inclua todas as contribuições que o trabalhador fez à Previdência no
cálculo da aposentadoria.
Até então, somente entravam nesse cálculo valores em reais pagos a
partir de 1994, quando entrou em vigor o Plano Real. Os salários em
outras moedas ficavam de fora, gerando prejuízos.
Até então, somente entravam nesse cálculo valores em reais pagos a
partir de 1994, quando entrou em vigor o Plano Real. Os salários em
outras moedas ficavam de fora, gerando prejuízos.
A decisão, conhecida como "revisão da vida toda", beneficia
profissionais que estão no mercado de trabalho antes de julho de 1994 –
aposentados ou não – que podem exigir a inclusão dessas contribuições na
contagem.
No caso dos aposentados, o prazo para pedir a revisão é de até 10 anos,
ou seja, se o segurado se aposentou em 2010, ele se expira este ano.
O advogado João Badari, especialista em direito previdenciário e sócio
do escritório Aith, Badari e Luchin Advogados, diz que é uma “ação de
exceção” e que precisa ser muito bem avaliada antes de ingressada.
“É mais comum que o trabalhador tenha seu salário elevado ao longo da
vida e não no início da sua carreira. Essa ação beneficia quem tinha
bons salários antes de 1994 e, consequentemente, fazia contribuições
maiores ao INSS e que, se computadas no cálculo para aposentadoria,
farão a diferença no cálculo do valor”, diz Badari.
Badari orienta o trabalhador a procurar um especialista para fazer os
cálculos – que envolvem a conversão das moedas utilizadas no país
anteriormente ao Real – de todas as suas contribuições para verificar se
a ação seria benéfica para o seu caso.
“Se é um profissional que ganhava mais do que recebe atualmente, a ação pode valer a pena”, comenta.
A pedido do R7, o advogado Giovanni Magalhães,
especialista em cálculo do mesmo escritório, fez três simulações de
pedidos de revisão da vida toda. Duas delas apresentam resultados
positivos e valeriam a pena para o segurado, e uma com apuração negativa
e que não seria vantajosa. Confira:
Caso 1 (positivo):
Mulher, aposentada desde 27/12/2011 com 27 anos de contribuição. Ao
considerar as contribuições anteriores a julho de 1994, o benefício
atual de R$ 2.824,39 passaria para R$ 5.839,45, valor teto da
previdência, com previsão de atrasados – valores a receber como
diferença pelo benefício menor que foi pago anteriormente – de R$
199.722,46.
Caso 2 (positivo):
Homem, aposentado desde 30/08/2017 com 16 anos de contribuição. Neste
caso, o segurado deixou de contribuir ao INSS durante grande período
após 1994, de forma que, na concessão, houve aplicação do mínimo divisor
deixando o benefício no valor do salário mínimo.
Sendo assim, ao considerar as contribuições anteriores a julho de 1994,
o benefício atual de R$ 1.039 passa para R$ 4.799,96, com previsão de
atrasados de R$ 118.477,38.
O mínimo divisor é uma regra prevista para impedir que pessoas com
poucas contribuições tenham um cálculo igual a alguém que contribuiu
mais. A lei especifica que o mínimo divisor corresponde a 60% do tempo
decorrido entre julho de 1994 até a data de início da aposentadoria.
Exemplo: imagine dois segurados que pediram a
sua aposentadoria na regra atual. Ambos possuem o tempo de contribuição
mínimo, mas um deles possui 100 contribuições enquanto o outro apenas 30
contribuições. Se não existisse o mínimo divisor, em ambos os casos
seriam somadas todas as contribuições e tirada a média simples (no
primeiro caso, seria 100 dividido por 100 e, no caso 2, 30 dividido por
30).
Entretanto, não era entendido como justo que a aposentadoria de um
segurado que pagou mais contribuições tivesse o mesmo cálculo de alguém
que contribuiu menos.
Assim, neste exemplo, o mínimo divisor seria 60 e, no segundo casso,
seriam somadas as 30 contribuições e dividido por 60. O que,
consequentemente, iria gerar um benefício menor e, legalmente, mais
justo.
Caso 3 (negativo):
Mulher, aposentada desde 1º/10/2013 com 32 anos de contribuição. Neste
caso, as contribuições anteriores a julho de 1994 diminuiriam o
benefício atual de R$ 3.850,81 para R$ 3.373,84, sendo inviável para a
segurada o ingresso da ação.
Como ingressar?
O prazo para pedir a revisão é de 10 dez anos, por isso, quem se aposentou em janeiro de 2010, por exemplo, deve correr.
O prazo para pedir a revisão é de 10 dez anos, por isso, quem se aposentou em janeiro de 2010, por exemplo, deve correr.
A ação deve ser ingressada na Justiça. Não é possível pedir a revisão de forma administrativa no INSS.
Cálculo
Antes de ingressar com a ação é importante procurar um profissional para fazer o cálculo das contribuições feitas antes de 1994 para saber se vale a pena.
Antes de ingressar com a ação é importante procurar um profissional para fazer o cálculo das contribuições feitas antes de 1994 para saber se vale a pena.
Decisão é definitiva?
A AGU (Advocacia-Geral da União), que representa o governo e, consequentemente, o INSS na Justiça, informou que vai avaliar se recorrerá à decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).
A AGU (Advocacia-Geral da União), que representa o governo e, consequentemente, o INSS na Justiça, informou que vai avaliar se recorrerá à decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).
Se isso se concretizar, a revisão poderá ficar parada, à espera de decisão final.
R7

Quem é aposentado de 1934
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