Um comentário ofensivo ou uma piada maldosa. Antes algo banal, postar uma foto nas redes sociais,
hoje, pode tornar o usuário refém do próprio desejo de compartilhar a
rotina. Em maio do ano passado, uma entidade de saúde pública do Reino
Unido entrevistou 1.479 pessoas, de 14 a 24 anos, e constatou que 90%
delas utilizam redes sociais. Para esta parcela, o Instagram é a plataforma que mais influencia no sentimento de depressão, ansiedade e solidão.
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| Melhor do que estas nem churrasco. |
Em grande parte das postagens, o corpo da mulher é o primeiro alvo de ataques. Diante de padrões estéticos impostos pela mídia, não é raro presenciar pessoas julgando, criticando e apontando os “defeitos” do corpo alheio.
Longe de deixar a saúde de lado, muitas influencers enfrentam o lado
negro da rede. É o caso de Cleo, cantora e atriz que, nos últimos meses,
se tornou um nome importante no movimento body positive.
Depois de enfrentar doenças como a bulimia, a filha de Gloria Pires
resolveu se libertar de padrões. Ao lado dela, há outras representantes
que conseguem aliar autoaceitação, bem-estar e busca pela felicidade.
Acabam quebrando padrões e se transformando em referências.
Autodefesa
Segundo a psicóloga Laura Pertence, a estrutura física está associada ao sistema de consumo, e a mídia atua reforçando as maneiras de atingir tal o padrão exigido.
De acordo com a especialista, é preciso ter inteligência emocional para lidar com os comentários ofensivos.
A melhor maneira para se defender é estar seguro dos seus objetivos. As
críticas passam a não ter tanta importância”, pontua Laura.
Exposição nas redes
“Você é tão linda, mas, se fosse magra, seria maravilhosa.” Esse é um dos comentários desagradáveis que a modelo e maquiadora Marília Giassi, 27 anos, recebe ao postar alguma foto de biquíni no Instagram.
A jovem iniciou a carreira no mundo da moda plus size com o
incentivo de parentes e pessoas próximas. Para ela, que tem o apoio da
família, o maior desafio no universo da beleza é a autoaceitação.
“Esse tipo de pensamento não muda de um dia para o outro. Também me cobro muito pelo padrões estéticos”, conta Marília.
A jornalista e influenciadora digital Naiana Ribeiro,
25 anos, também está conquistando seu espaço na plataforma. Ela recebe
diariamente mensagens de pessoas, em sua maioria mulheres, que
compartilham experiências de autoconhecimento.
“Muitas delas ainda não se entenderam e querem aumentar a autoestima e amor próprio”, declara Naiana.
Lamentavelmente,
também são frequentes as opiniões de ódio, sobretudo quando as
postagens viralizam e alcançam um número maior de usuários.
O anonimato e a falsa sensação de impunidade estimulam que os usuários soltem as amarras e compartilhem pensamentos ofensivos
Naiana Ribeiro
Para jornalista, o grande problema do app de compartilhamento
de imagens e vídeos são as influenciadoras que fazem conteúdos falsos,
ou que publicam fotos recheadas de tratamento, criando uma falsa imagem
diante do público.
u sigo pessoas reais, que têm o corpo parecido com o meu e que produzem um conteúdo que me acrescenta”, pontua.
Amor próprio
Marília
Giassi relembra que já tentou diversas vezes começar uma dieta, mas o
resultado sempre era falho. Ela desistia e comia tudo em dobro.
“Foi difícil aceitar o meu corpo. Ficava muito desconfortável e me importava com a opinião alheia”, declara Marília.
Na
vida real, Naiana Ribeiro ouve menos comentários gordofóbicos em
comparação aos que lê na internet. Por conta da alimentação, a jovem
desenvolveu ansiedade. A saúde mental ficou abalada, sobretudo por não
se sentir bem com seu peso.
Uma das maneiras de atender a
expectativa da sociedade foi fazer dieta aos 10 anos de idade. Ela
recorreu a polêmicos regimes restritivos.
Em um deles, só era permitido beber suco de maracujá e comer presunto
Naiana Ribeiro
Atualmente, ela garante que se olha no espelho e que aceita suas formas com plenitude.
Militância online
Marília alega que o crescimento da moda para mulheres fora do padrão cria mais espaço para o debate do tema no meio social.
As meninas estão mais determinadas a amar e aceitar seu corpo da forma que se sentem bem
Marília Giassi
Para
Naiara, o ponto chave da relação com a militância foi em 2012, quando
eu entrou na faculdade de jornalismo pela Universidade Federal da Bahia
(UFBA).
Como trabalho final de curso, a moça resolveu produzir a revista digital Plus. O conteúdo aborda assuntos sobre a representatividade de meninas fora do padrão.
A jornalista ressalta que gordofobia não se restringe, apenas, aos
comentários de ódio no Instagram e em outras redes sociais. Vai além. É
caracterizada, também, pelo opressão de direitos em diversos âmbitos,
além de violências físicas e psicológicas. “Não tem um dia em que deixo
de militar. Às vezes, é cansativo. Mas não lutar não é uma escolha”,
conclui Naiana.
MTp


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