Encerrou, na sexta-feira (25), a fase de audiências de instrução do processo que envolve o pastor David Gonçalves da Silva, acusado pelo Ministério Público de crimes como estupro de vulnerável, tortura e estelionato contra pessoas ligadas à comunidade religiosa Shekinah House Church, em Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís.
Ao longo de cinco dias de audiências, 48 pessoas foram ouvidas, entre supostas vítimas, testemunhas e o próprio acusado. Com o encerramento dos depoimentos, o processo avança agora para a etapa de alegações finais, quando o Ministério Público e a defesa deverão apresentar suas manifestações com base nas provas produzidas durante a instrução.
Após essa fase, caberá à Justiça analisar o conjunto do processo e decidir sobre as acusações. David Gonçalves está preso desde 17 de abril, quando foi alvo da investigação denominada Operação Falso Profeta.
O processo tramita em segredo de Justiça, motivo pelo qual o conteúdo dos depoimentos prestados nas audiências não foi divulgado.
Investigação durou cerca de dois anos
Segundo a denúncia do Ministério Público, o pastor teria utilizado sua posição de liderança religiosa para exercer controle sobre fiéis e, segundo a acusação, praticar abusos sexuais, tortura e outros crimes.
A investigação da Polícia Civil teve duração aproximada de dois anos e começou após denúncias apresentadas por ex-integrantes da comunidade. Durante o inquérito, investigadores identificaram e ouviram diferentes pessoas que relataram supostos abusos.
De acordo com a Polícia Civil, a comunidade reunia aproximadamente 100 a 150 fiéis, e o líder religioso teria exercido influência sobre integrantes durante anos.
Entre os relatos investigados estão acusações de violência psicológica e castigos físicos. Um dos métodos mencionados pelos investigadores teria sido chamado de “readas”, que consistiria em golpes com um reio, instrumento semelhante a um chicote utilizado em cavalos.
Durante o cumprimento de mandados da investigação, policiais também apreenderam folhas nas quais aparecia repetidamente a frase “Eu preciso aprender a respeitar o meu líder”. Segundo a investigação, a atividade faria parte de um sistema de punições imposto aos fiéis.
Supostos abusos contra pessoas em situação de vulnerabilidade
A investigação também reuniu relatos de pessoas que teriam chegado à instituição em situações de vulnerabilidade. Uma das pessoas ouvidas afirmou ter ingressado na comunidade aos 13 anos, quando estava em situação de rua, e disse ter permanecido no local por vários anos.
Segundo a Polícia Civil, entre os investigados estavam crimes de estelionato, estupro de vulnerável, posse sexual mediante fraude e associação criminosa.
As acusações, entretanto, ainda serão analisadas pela Justiça. O encerramento da fase de depoimentos não representa uma condenação: o processo segue para as alegações finais e, posteriormente, para a decisão judicial.

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