Com a promoção do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), o Maranhão está sediando o Encontro Nacional das Comissões de Soluções Fundiárias. O evento acontece nesta quinta-feira (18/6), no Fórum Desembargador Sarney Costa, localizado na capital, e reúne representantes dos tribunais de justiça de todo Brasil. Na sexta-feira (19/6) as ações se estendem à cidade de Alcântara.
Durante a abertura do Encontro, a corregedora-geral do Foro Extrajudicial, desembargadora Angela Salazar, falou dos desafios jurídicos e burocráticos para o avanço da pauta. Ela ressaltou que o processo de regularização fundiária passa pela governança colaborativa, envolvendo poderes constituídos, órgãos públicos, atores do Sistema Extrajudicial e sociedade civil organizada.
''A regularização fundiária é uma política pública essencial à redução das desigualdades sociais e à promoção da cidadania. Somente entrelaçando justiça social, legalidade e sustentabilidade é que o Brasil vai solucionar os conflitos fundiários”, afirmou a corregedora-geral.
Com uma programação voltada para o debate de temas importantes acerca da regularização de terras, o Encontro Nacional de Comissões de Soluções Fundiárias integra a política judiciária instituída pela Resolução nº 510/2023, do CNJ. O evento reúne integrantes da magistratura, especialistas e profissionais de todo país que trabalham com a pauta. O objetivo é promover o alinhamento institucional e o intercâmbio de soluções práticas e efetivas, visando ao aprimoramento de metodologias de atuação das comissões em cada estado.
Em seu último dia à frente da Comissão Nacional de Soluções Fundiárias do CNJ, o conselheiro Fábio Esteves falou dos entraves históricos provocados pela distribuição de terras, que geraram um violento processo estrutural de exclusão social, sobretudo da população negra. Ele defendeu que o trabalho desenvolvido pela Comissão busca corrigir esse percurso do Estado Brasileiro, que não deve apenas ser vista como o sonho da casa própria, mas um direito de reparação.
''Durante três séculos e meio, o Estado distribuiu terra para quem desejava. Mas, com o fim do regime de escravização de pessoas, a terra passou a ser um objeto econômico, de disputa, de compra e venda. E isso resulta, hoje, num processo de exclusão estrutural, sobre o qual precisa ser feita uma revisão histórica de um país marcado por um racismo que está atravessado nos conflitos fundiários. Nós estamos fazendo a revisão histórica dessa exclusão”, disse.
Também participaram da solenidade de abertura o presidente do TJMA, desembargador Ricardo Duailibe; os conselheiros do CNJ Ilan Presser e Sílvio Amorim; o presidente da Comissão de Soluções Fundiárias do TJMA, desembargador José Froz Sobrinho; o corregedor-geral da Justiça, desembargador José Gonçalo; a ouvidora do TJMA, desembargadora Márcia Chaves; o presidente do Fórum Fundiário Nacional das Corregedorias Gerais da Justiça e corregedor do Foro Extrajudicial de Goiás, desembargador Anderson Máximo; a diretora do TJMA, juíza Ticiany Gedeon Maciel; o diretor do Fórum Desembargador Sarney Costa, juiz Marcelo Matos e Oka; e o diretor do Foro da Seção Judiciária Federal da Maranhão, Mauricio Rios Junior.
A programação do Encontro Nacional segue na tarde desta quinta-feira (18) e, na sexta-feira (19) terá atividades práticas dedicadas à entrega de títulos de propriedade a territórios quilombolas do município de Alcântara. A mobilização na cidade histórica é continuidade do projeto Viva Alcântara, que teve início em 2024 e que busca promover a regularização de áreas onde vivem cerca de 200 comunidades tradicionais.






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