De acordo com o Ministério da Saúde, em dez anos o número de
brasileiros com diabetes aumentou 61,8% (2006-2016). A doença agora
atinge 8,9% da população – o que corresponde a quase 19 milhões de
pessoas.
Diabéticos sabem que precisam monitorar uma série de coisas, como o
que comem e o que bebem, além dos exercícios físicos que precisam
praticar. Mas um estudo realizado na Filadélfia (Estados Unidos), por
médicos do Wills Eye Hospital, revelou que seis em cada dez diabéticos
deixam de fazer exames oculares anualmente.
O estudo analisou perto de dois mil pacientes com mais de 40 anos,
portadores de diabetes tipo 1 e tipo 2. Vale ressaltar que esse check up
anual da visão é considerado fundamental justamente para que os
portadores da doença não deixem de enxergar no médio ou longo prazo.
Esse cuidado pode prevenir até 95% da perda de visão relacionada à
doença.
De acordo com o oftalmologista Renato Neves, o paciente diabético
deve dilatar a pupila todos os anos e se submeter a um exame ocular
bastante minucioso. “O paciente diabético pode apresentar problemas de
visão a qualquer momento.
Daí a importância de um acompanhamento oftalmológico frequente. Como o
comprometimento da retina pode ser assintomático, sem alterações na
qualidade da visão, o exame de fundo de olho é fundamental para detectar
pontos e vasos sanguíneos propensos a romper e desencadear hemorragia. É
sempre melhor investir na prevenção do que correr atrás do prejuízo
depois”.
Estudos realizados nos últimos anos apontam para o sucesso das
injeções intravítreas de antiangiogênicos em pacientes com retinopatia
diabética. Somente em casos raros há complicações, como descolamento da
retina, formação de catarata e aumento ou redução da pressão
intraocular. “O principal papel dos antiangiogênicos é a interrupção da
perda de visão.
Embora seja difícil recuperar a visão perdida, as injeções
intravítreas impedem a progressão da doença, evitando que a pessoa acabe
ficando cega. Com anestesia local e pupilas dilatadas, a injeção é
aplicada diretamente no vítreo, camada gelatinosa localizada entre a
retina e o cristalino”, diz Neves. Esse tratamento precisa ser repetido
em intervalos regulares para atingir resultados duradouros.
Além disso, o paciente deve usar colírios antibióticos durante cerca
de trinta dias. Ensaios clínicos demonstram melhora em até 34% da visão
central e estabilização da visão em 90% dos casos.
Perda de visão cresce entre diabéticos no mundo todo
No mundo inteiro, a perda de visão por causa do diabetes tem
aumentado assustadoramente. Embora estudos realizados nos últimos anos
apontem para o sucesso das injeções intravítreas de antiangiogênicos em
pacientes com retinopatia diabética, em casos raros pode haver
complicações, como descolamento da retina, formação de catarata e
aumento ou redução da pressão intraocular.
No Brasil, 19 milhões de pessoas sofrem de diabetes e muitas nunca
fizeram acompanhamento oftalmológico. Como a retinopatia diabética
costuma atingir três em cada dez portadores da doença, pode levar à
perda total da visão se não for tratada a tempo.
Na opinião do médico oftalmologista Renato Neves, o paciente
diabético deve ter em mente alguns cuidados para preservar a saúde
ocular e geral, como fazer exames oftalmológicos anualmente, praticar
exercícios, perder peso e se alimentar da forma mais natural possível,
evitando muitos doces, frituras, alimentos processados e fast food.
Paulo Brasil

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