O presidente Jair Bolsonaro
defendeu nesta quarta-feira (31) o trabalho forçado para preso no
Brasil. Ele ponderou que a Constituição proíbe tal penalidade, mas disse
que é seu "sonho" a existência de presídios agrícolas no país.
Ele também afirmou que os quatro presos que estariam envolvidos no
massacre de Altamira (PA) e que foram mortos na noite desta terça-feira
por sufocamento dentro do caminhão-cela que os transferia para unidades
de Belém (PA) morreram porque "com toda certeza, deviam estar feridos".
"Eu sonho com um presídio agrícola. É cláusula pétrea, mas eu gostaria
que tivesse trabalho forçado no Brasil para esse tipo de gente, mas não
pode forçar a barra. Ninguém quer maltratar presos nem quer que sejam
mortos, mas é o habitat deles, né?", disse Bolsonaro nesta quarta, ao
fim de uma cerimônia em que assinou o contrato de concessão de trechos
da ferrovia Norte-Sul em Anápolis (GO).
Questionado sobre as mortes dos quatro presos, Bolsonaro respondeu que
"problemas acontecem". "Porque uma ambulância, quando pega uma pessoa
até doente no caminho, ela pode vir a falecer. O que eu pretendo fazer?
... Pessoal, problemas acontecem, está certo? Se a gente puder, eu vou
conversar com o ministro Moro Sergio Moro, ministro da Justiça e
Segurança Pública nesse sentido", disse.
O presidente afirmou ainda ter pena dos familiares das vítimas do
massacre e defendeu que haja mais "autoridade" em cima dos presos. "A
gente espera que seja resolvida essa questão. Se a gente pudesse obrigar
o trabalho, mas se pudéssemos ter uma autoridade em cima do
presidiário, como o americano tem, seria muito bom para nós", afirmou.
Perguntado ainda sobre se haverá ajuda federal para o caso, Bolsonaro afirmou que já existe o fundo penitenciário.
Mortos
Com o assassinato destes quatro presos, o número de vítimas do massacre
do Centro de Recuperação Regional de Altamira, no sudoeste do Pará,
sobe para 62 pessoas, maior chacina relacionada a presídios do País
neste ano.
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