quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Capitão da PM é preso preventivamente após investigação por agressões e disparos em posto de combustível em São Luís

 O capitão da Polícia Militar do Maranhão (PM-MA) Jurambergson Gomes Soeiro Sobrinho Silva, conhecido como “Berg”, foi preso preventivamente nesta quinta-feira (8), em São Luís, cinco dias após uma ocorrência em um posto de Capitão da PM é preso preventivamente após investigação por agressões e disparos em posto de combustível em São Luís, que resultou em agressões contra duas mulheres e disparos de arma de fogo.




O militar é investigado pela Polícia Civil do Maranhão (PC-MA) por sua suposta participação nas agressões registradas na manhã do último sábado (3), em um posto localizado na Avenida Jerônimo de Albuquerque, nas proximidades do Elevado da Cohama. Imagens que circulam nas redes sociais mostram parte da confusão e registram o momento em que o capitão aparece agredindo uma das mulheres.



Segundo a delegada Kazumi Tanaka, coordenadora das Delegacias da Mulher no Maranhão, o capitão prestou depoimento na terça-feira (6), na Delegacia Especial da Mulher (DEM), no bairro Jaracaty, mas não apresentou, naquele momento, esclarecimentos sobre a dinâmica dos fatos.

De acordo com a delegada, o militar informou que pretende apresentar sua versão posteriormente perante a Justiça. Após o depoimento, ele foi liberado, mas acabou sendo preso nesta quinta-feira após o cumprimento do mandado de prisão preventiva.

Uma das vítimas tentou defender outra mulher

Durante entrevista, Kazumi Tanaka explicou que uma das vítimas não conhecia o capitão. Segundo a investigação, ela teria presenciado as agressões contra outra mulher e tentou intervir para evitar que a situação se agravasse.

A intervenção, porém, teria resultado em novas agressões. Conforme o relato apresentado pela delegada, a mulher foi atingida com coronhadas e precisou receber atendimento hospitalar.

A vítima, identificada como Sara Pinto Brito, relatou à TV Mirante que tentou afastar o militar de outra mulher e afirmou que não esperava ser atacada.

Segundo Sara, o capitão teria utilizado a arma para desferir diversas coronhadas. Ela também afirmou que as agressões continuaram mesmo depois de ter perdido a consciência.

“Meu impulso foi ir para cima, para afastar ele. Em nenhum momento eu achei que ele fosse vir para cima de mim”, relatou a vítima.

Em outro trecho do depoimento público, Sara afirmou esperar que o caso seja responsabilizado pela Justiça e declarou que ainda sofre consequências físicas das agressões.

Disparos também são investigados

Além das agressões, a Polícia Civil apura os disparos efetuados durante a ocorrência.

Segundo as informações da investigação, o capitão aparece armado nas imagens. Um disparo teria atingido um homem que estava no local, causando ferimento na região do pescoço.

A Polícia Civil instaurou inquérito para esclarecer todas as circunstâncias da ocorrência, incluindo a sequência dos acontecimentos, as agressões e os disparos de arma de fogo.

Discussão teria antecedido a confusão

A delegada informou que uma discussão entre o capitão e uma das mulheres antecedeu as agressões. Segundo ela, os envolvidos haviam ingerido bebida alcoólica antes do episódio.

A mulher que já havia mantido relacionamento com o militar também prestou depoimento e, segundo a Polícia Civil, está abalada com o ocorrido. Ela solicitou medidas protetivas de urgência.

A delegada não detalhou uma possível motivação relacionada a ciúmes, afirmando que a vítima pediu preservação de informações referentes à sua intimidade.

Prisão ocorreu após restrição do período eleitoral

Segundo Kazumi Tanaka, o fato de o capitão ter sido ouvido e liberado anteriormente esteve relacionado às restrições legais existentes durante o período eleitoral e nas 48 horas posteriores à votação.

Com o encerramento desse período de restrição, o mandado de prisão preventiva pôde ser cumprido nesta quinta-feira.

Após ser detido pela Polícia Militar, o capitão foi encaminhado à Delegacia Especial da Mulher, no bairro Jaracaty.

Militar também responde a processo administrativo

Além da investigação criminal conduzida pela Polícia Civil, a Polícia Militar já instaurou um processo administrativo para apurar a conduta do oficial.

A delegada informou que o cumprimento da prisão será comunicado ao Poder Judiciário e ao Ministério Público. Por ser oficial da PM, o capitão deverá ser encaminhado ao Comando-Geral da corporação.

Ainda não há decisão definitiva sobre eventual exclusão do militar dos quadros da Polícia Militar. A definição dependerá do andamento dos procedimentos criminal e administrativo.

O capitão também responde a um processo relacionado a uma denúncia de violência doméstica envolvendo a mesma policial militar que aparece como uma das vítimas da ocorrência. Segundo as informações divulgadas, esse processo, iniciado em 2023, ainda não foi julgado.



As investigações continuam, e a Polícia Civil deverá reunir depoimentos, imagens, exames e demais elementos para esclarecer a dinâmica dos fatos e as eventuais responsabilidades.

Nenhum comentário:

Postar um comentário