domingo, 29 de março de 2026

TRABALHO ESCRAVO EM MG: Mais de 29 trabalhadores resgatados em Ibiá receberão indenização.

 Um grupo de 29 trabalhadores resgatados de condições análogas à escravidão em uma fazenda de milho em Ibiá, no Alto Paranaíba, vai receber os direitos trabalhistas após acordo firmado pelo Ministério Público do Trabalho em Minas Gerais (MPT-MG). 

Trabalhadores foram resgatados em lavoura de milho em Ibiá


As investigações apontaram que a alimentação era insuficiente e que alguns trabalhadores chegaram a comer frutas caídas no chão para matar a fome.

Além disso, os trabalhadores sofriam descontos abusivos por moradia e alimentação, o que gerava “dívidas artificiais” permanentes e os mantinha presos à exploração. 

O acordo prevê o pagamento de R$ 203 mil em verbas trabalhistas e a imposição de uma série de obrigações ao empregador para evitar novas irregularidades. Cada trabalhador deverá receber cerca de R$ 7 mil.

Segundo o MPT, o valor será pago em 24 parcelas mensais de R$ 8.458,33. Em caso de atraso, será aplicada multa de 20% sobre o saldo devedor. 

Vítimas foram resgatadas sob condições degradantes e fome 

Os trabalhadores foram resgatados em 6 de outubro de 2025 durante uma operação que reuniu auditores fiscais do trabalho, Polícia Federal (PF) e o MPT. 

No local, eles trabalhavam na colheita manual de palha de milho, em jornadas exaustivas, sem registro em carteira e em condições degradantes. Segundo as investigações, alguns relataram que passavam fome e "pediam esmolas" de frutas que encontravam pelo chão para se alimentar. 

Consta no processo que os trabalhadores recebiam por produtividade, com remuneração calculada pela quantidade de palha cortada. Segundo a auditoria fiscal, cada cortador produzia, em média, entre 30 e 45 quilos de palha por dia, com ganhos mensais entre R$ 6 mil e R$ 9 mil. 

O agravante, segundo os fiscais, foi a caracterização da chamada “servidão por dívida”. Custos com alimentação e moradia eram descontados dos salários, criando débitos artificiais que impediam os trabalhadores de deixar o local. Sem dinheiro e dependentes do transporte fornecido pelo intermediador, muitos não conseguiam sair da fazenda.

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