quinta-feira, 22 de outubro de 2026

MPMA pede suspensão de empréstimo de R$ 20 milhões da Prefeitura de Lago-Açu por falta de estudos técnicos


O Ministério Público do Maranhão (MPMA) ingressou na Justiça com uma ação para suspender a contratação de um empréstimo de até R$ 20 milhões pela Prefeitura de Conceição do Lago-Açu, no Maranhão, junto ao Banco do Brasil. A iniciativa, apresentada em 16 de outubro de 2026 pela 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Bacabal, aponta a falta de estudos técnicos e documentos necessários para demonstrar a viabilidade financeira da operação.



De acordo com as informações divulgadas pelo MPMA, o financiamento teria como finalidade a implantação de usinas de energia solar e a execução de obras de pavimentação no município. Entretanto, a Promotoria identificou lacunas no planejamento apresentado, especialmente quanto à destinação dos recursos, aos custos das intervenções e aos efeitos do endividamento sobre os orçamentos dos próximos anos.

Entre os principais pontos levantados pelo Ministério Público está a ausência de documentos que comprovem a capacidade financeira do município para assumir uma dívida desse porte. A ação também aponta a falta de estimativas sobre o impacto orçamentário e financeiro do empréstimo, informações consideradas necessárias para avaliar a compatibilidade da operação com as exigências legais.

A Promotoria questiona ainda a ausência de detalhes sobre a quantidade e a localização das usinas solares previstas, as vias que seriam pavimentadas, a economia de energia esperada e os custos individuais dos projetos.

Outro aspecto destacado é a falta de informações sobre as condições financeiras do contrato, incluindo taxas de juros, prazo de pagamento, período de carência e sistema de amortização da dívida.

Para o Ministério Público, a ausência desses elementos dificulta a avaliação dos benefícios econômicos e sociais que a operação poderá proporcionar à população de Conceição do Lago-Açu.

Débito automático nas contas da Prefeitura também é questionado

Outro ponto que chamou a atenção da Promotoria está previsto no artigo 5º do projeto de lei que autorizou a operação. Segundo a ação, o dispositivo estabelece o débito automático em contas correntes da Prefeitura para o pagamento da dívida, sem necessidade de emissão de nota de empenho.

O promotor de Justiça Lindemberg do Nascimento Malagueta Vieira, responsável pela manifestação, ressaltou a necessidade de fundamentação técnica e jurídica antes da contratação de uma operação dessa natureza.

“A lei exige, portanto, motivação técnica e jurídica prévia, com demonstração da relação custo-benefício e do interesse econômico e social da operação”, afirmou o promotor.

A discussão envolve a observância das exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e dos princípios constitucionais aplicáveis à administração pública, especialmente no que diz respeito ao planejamento, à responsabilidade na gestão dos recursos e à transparência dos gastos públicos.

A investigação do Ministério Público teve início após uma representação apresentada pelos vereadores Truman Oliveira e João Paulo Ferreira Sousa.

Conforme as informações divulgadas, o projeto de lei que autorizava a contratação do empréstimo de até R$ 20 milhões com o Banco do Brasil foi votado e aprovado durante uma sessão realizada em 25 de setembro de 2026, com a presença de cinco vereadores.

A aprovação legislativa passou a ser objeto de questionamentos diante das supostas lacunas na documentação técnica e financeira que deveria fundamentar a operação de crédito.

O pedido de suspensão apresentado pelo Ministério Público coloca em discussão a necessidade de planejamento e transparência na contratação de dívidas públicas municipais. Caso seja efetivado, um empréstimo desse valor poderá comprometer receitas futuras da Prefeitura, razão pela qual a análise de sua viabilidade financeira é fundamental.

A iniciativa do MPMA busca impedir que a operação avance sem que sejam esclarecidas as questões apontadas na ação. O pedido de suspensão, entretanto, não significa que a Justiça já tenha determinado o bloqueio do empréstimo. A situação depende da apreciação judicial.

Até que haja uma decisão, os questionamentos apresentados pelo Ministério Público devem ser tratados como alegações submetidas à análise da Justiça.


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