O desaparecimento de duas crianças em Bacabal, no Maranhão, continua cercado de questionamentos. Em entrevista repercutida pelo portal Vanity Brasil nesta terça-feira (27), a advogada Nathaly Moraes, que representa os interesses de Clarice Cardoso, mãe dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, apontou supostas falhas na investigação policial e cobrou esclarecimentos sobre procedimentos adotados desde o início do caso.
As crianças desapareceram no dia 4 de janeiro, juntamente com o primo Anderson Kauã, então com 8 anos. O menino foi encontrado três dias depois, em uma área de mata, debilitado. Já Ágatha e Allan permanecem desaparecidos, segundo a reportagem.
Entre as principais críticas apresentadas por Nathaly Moraes está a estratégia inicial das buscas. Segundo ela, as equipes concentraram esforços em áreas de mata, mas não conseguiram localizar os dois irmãos.
A advogada também questionou a ausência, naquele momento, de medidas que, em sua avaliação, poderiam ter ampliado o alcance das investigações, como pedidos de cooperação com a Polícia Federal e a utilização de mecanismos internacionais de alerta, caso a hipótese de tráfico de pessoas estivesse sendo considerada.
Nathaly ainda afirmou que levantamentos sobre movimentações de pessoas na cidade, registros telefônicos e outras informações de inteligência deveriam ter sido realizados para ajudar a esclarecer o desaparecimento.
Outro ponto abordado pela defensora diz respeito à hipótese inicialmente considerada pela polícia de que a mãe poderia ter envolvimento no desaparecimento dos filhos.
Conforme a reportagem, a advogada afirmou que as apurações posteriores afastaram a participação de Clarice Cardoso no caso. A declaração, entretanto, deve ser confrontada com informações oficiais das autoridades responsáveis pela investigação.
Durante suas declarações, Nathaly também levantou dúvidas sobre uma casa conhecida como “casa caída”, onde, segundo ela, teriam sido identificados possíveis vestígios relacionados às crianças. A advogada questionou as circunstâncias em que o imóvel foi incendiado e se houve perda de evidências que poderiam contribuir para a elucidação do caso.
Ela também contestou a hipótese de afogamento dos irmãos, argumentando que as buscas realizadas com equipamentos especializados não teriam encontrado vestígios que confirmassem essa possibilidade.
As declarações são questionamentos apresentados pela defesa e não comprovam, por si só, a existência de sabotagem ou participação de agentes públicos no desaparecimento.
Mais de nove meses após o desaparecimento, o paradeiro de Ágatha Isabelly e Allan Michael continua sendo uma das principais preocupações da família e da comunidade.
As declarações da advogada ampliam o debate sobre a condução das investigações e reforçam a cobrança por respostas. Para esclarecer definitivamente o caso, será necessário reunir provas, verificar as informações levantadas e identificar o que efetivamente aconteceu com as crianças.
O que a família espera é que todas as hipóteses sejam investigadas com rigor e que qualquer possível falha seja devidamente apurada pelas autoridades competentes.

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